Renato Janine Ribeiro para a Educação!

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O anúncio foi dado de maneira inesperada na sexta-feira (27), por volta das 19h. O Valor Econômico informou que seu colunista, o professor da USP Renato Janine Ribeiro, seria o novo ministro da Educação do segundo governo de Dilma Rousseff. A confirmação veio horas depois, do próprio Palácio do Planalto.

Janine entra no governo, a partir do dia 6 de abril, num momento de humores exacerbados. Seu antecessor, o ex-governador do Ceará Cid Gomes, caiu após dizer com todas as letras que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é um “achacador” e um falso aliado da presidência. Quem anunciou ao vivo a demissão foi o próprio Cunha.

A decisão pelo professor certamente não leva em conta apenas o currículo dele. Renato Janine Ribeiro formou-se na própria Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, fez mestrado pela Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne e, depois, terminou doutorado de volta ao Brasil. Seu pós-doutorado foi pela British Library e ele lecionou na Universidade de São Paulo por cerca de 20 anos, além de ter 18 livros publicados.

Sua especialidade não é a pedagogia ou o ensino, mas sim a filosofia política. Estudou Thomas Hobbes e seu “Leviatã”. Em artigos levantou questões sociais e do poder em Brasília. Nunca poupou críticas ao governo Dilma. Janine apontou falhas na política de alianças do governo, vê um vácuo de ética entre políticos e um favorecimento sistemático da corrupção neste processo.

Mas o filósofo também pensa sobre a educação e, há quatro meses, publicou um artigo em que defendia a formalização de currículos mais flexíveis nas escolas — ou seja, a inclusão de temas atuais.

Ele foi orientado por Marilena Chauí, docente que tem simpatia pelo PT e foi uma das fundadoras do partido. Chauí fez parte da Secretária Municipal de Cultura de São Paulo de 1989 a 1992, durante a administração de Luiza Erundina. Marilena optou, depois da experiência, por voltar às pesquisas na USP.

Desde a redemocratização, em 1985, o Ministério da Educação abrigou advogados, médicos, engenheiros e pouquíssimos professores mais atuantes. Em 1995, o ministério foi assumido por Paulo Renato Costa Souza, político tucano e economista. Com sua entrada, a pasta foi assumida sucessivamente por homens formados em economia, exceto pelos advogados Tarso Genro e Fernando Haddad.

Um ministro-filósofo como Renato Janine Ribeiro pode ajudar a repensar efetivamente os currículos dos ensinos básico e médio. Janine também pode ajudar a impulsionar uma agenda progressista para educadores, o que eventualmente culminaria em aumentos salariais ou das condições de trabalho no setor.

A escolha de seu nome honra um pouco mais o lema da “pátria educadora”. E também apaga um pouco o incêndio de novos ministros polêmicos, como Kátia Abreu e Gilberto Kassab.

Em entrevistas à imprensa, o professor Vladimir Safatle, outro filósofo pela USP, afirmou que o grande problema do cenário nacional é a abundância de políticos profissionais e a falta de representantes de determinadas classes que possam gerar políticas públicas mais eficientes.

Renato Janine Ribeiro não é um político profissional, mas é um professor que tem empatia pela cultura acadêmica e pelos problemas do Brasil. É um pensador da educação.

Fonte: Diário do Centro do Mundo.

 

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Discriminação e saúde: Brasil na luta intercontinental contra a AIDS

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Após sancionar, no início de junho, a lei 12.984 (da ex-senadora Serys Slhessarenko – PT-MT) que criminaliza a discriminação de portadores de HIV em instituições de ensino, creches, local de trabalho e outros ambientes de mútuo convívio, a presidenta Dilma Rousseff assinou a bola que simboliza a união dos continentes na luta contra a Aids.

O ato aconteceu no dia 10 de junho e contou com a presença do Diretor Executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV e Aids (UNAIDS) e Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas, Michel Sibidé.

A reunião faz parte da campanha Proteja o Gol, parceria do Ministério da Saúde com a UNAIDS para a promoção de ações de prevenção e testagem do HIV e Aids nas cidades sedes da Copa do Mundo no Brasil.

A ação começou em março deste ano, quando o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, assinou a bola-símbolo, durante amistoso entre o Brasil e a África do Sul. A partir daí, a bola foi assinada pelos chefes de estado de vários países africanos como Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Nigéria e pelo Prêmio Nobel da Paz, Kofi Annan.

Bandeira do Brasil

A campanha foi lançada em Salvador, pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, e mobilizou países como Equador, Guatemala, Panamá, Honduras, Irã, Malásia, Mianmar, Cambodja, Filipinas, México e Uruguai. A bola também foi assinada pelas presidentas do Chile, Michele Bachelet, da Argentina, Cristina Kirshner, e pelo presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia.

Informações: Portal Brasil

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Este fim de semana: II Agito Cultural – Zona Norte SP

street_dance1Este final de semana, o Agito Cultural da Zona Norte comemora sua segunda edição com dezenas de atrações distribuídas pelo Norte e Nordeste de Sampa, principalmente em Perus, Santana, Jaçanã, Brasilândia, Vila Maria e Vila Nova Cachoeirinha. Entre os dias 31 de maio e 1º de junho, a região estará repleta de teatro, dança, literatura, exposições, cinema, oficinas e muita diversão!

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Mano Réu estará no Centro Independente de Cultura Alternativa no sábado à noite.

Na esfera da música, cantores e bandas de rock, rap, samba, pop, reggae e folk se apresentam em palcos para todos os gostos! A maior parte das atividades da programação é gratuita (nos espaços públicos) ou apresenta preços populares.

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A banda 5PrasTantas se apresenta neste domingo no CEU Pera Marmelo.

Confira a página do evento no Facebook e acompanhe os destaques da programação para as Casas de Cultura Salvador Ligabue e Brasilândia, Biblioteca São Paulo, CEUs Jaçanã, Perus e Pera Marmelo, Centro Independente de Cultura Alternativa, Centro Cultural da Juventude e Parque do Trote. Vamos prestigiar os artistas locais e desenvolver a pluralidade cultural!

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Voto ou eleitor nulo?

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Com as eleições se aproximando, volta à tona aquela velha balela em torno dos votos brancos e nulos: “anule o voto em protesto”! E continuamos tecendo críticas rabugentas do alto do nosso confortável sofá.

Ok, é um direito. Mas me questiono – e este é um direito do qual não abro mão: que fundamento tem a crítica política aquele que vota nulo ou branco? É muito confortável se colocar na posição de pseudo-crítico de discursos estéreis tais como “político é tudo igual”, “termina em pizza mesmo” e “acorda Brasil” ao invés de se informar de verdade a respeito do cenário político e socioeconômico nacional. Os projetos político-partidários são MUITO distintos entre si, mas nossa ignorância no assunto nos leva a concordar com as opiniões midiáticas ao invés de procurar entendê-los diretamente.

Reparem: tratamos política com a mesma infantilidade dualista que emerge quando torcemos para o nosso time do coração e nos esquecemos que a construção democrática é gradativa, demandando conscientização política, participação e acompanhamento constante.

Votar branco ou nulo só reforça indecisão ou completa falta de interesse (real) no assunto – e isso definitivamente não muda o fato de que ALGUÉM irá governar sua cidade, estado e país e terá poder de influência sobre a SUA vida em sociedade. Pense nisso.

E para quem ainda acha muito válido anular o voto, segue um vídeo bastante instrutivo.

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“É importante que o eleitor tenha consciência de que, votando nulo, não obterá nenhum efeito diferente da desconsideração de seu voto. Isso mesmo: os votos nulos e brancos não entram no cômputo dos votos, servindo, quando muito, para fins de estatística”. (Polianna Pereira dos Santos – Tribunal Superior Eleitoral)

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Outro linchamento. E outro. E outro. De volta a Salem.

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Desta vez foi em Blumenau – SC. O estudante John Paulo Mafra voltava da casa de uma amiga quando foi abordado por três homens. Em fúria,  estavam em busca de um bandido que supostamente “teria pulado o quintal” de um deles.

O estudante era a única pessoa caminhando pela rua àquela hora da noite. Culpado, certo, groupies do Dapena e fãs da jornazista?

Errado. Sem direito a voz, o rapaz foi agredido a pauladas na boca, cabeça e braços até que seis dentes fossem arrancados.

Um agressor foi capturado Mas a ‘desculpa’ foi sincera, claro: “achei que era bandido”.

Crédito: Vítor Teixeira

Crédito: Vítor Teixeira

Muito semelhante ao “achei que era bruxa”, que levou um grupo de loucos fanáticos a matar  Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá  e igualmente análogo ao “achei que era mendigo” dos assassinos que atearam fogo no indígena Galdino Jesus, no longínquo ano de 1997.

Retornamos a Salem. Só este ano contamos os espancamentos noticiados às dezenas. Mais quantos casos semelhantes serão necessários? Aliás.. algum realmente foi?

Sobre esse assunto, o trecho do editorial do Metrô News, reproduzido abaixo, é bastante esclarecedor.

“Há quem afirme que os linchamentos que ganharam as páginas dos jornais e as telas das TVs não são novidade e que só agora ganharam holofote graças à discussão amplificada pela opinião favorável aos justiceiros feita por uma apresentadora de telejornal. Pode até ser. Aliás, é muito provável que seja.

Mas, como alguém disse certa vez, tudo é política. E o que pouca gente expõe, lamentavelmente, é que o ambiente bélico inflado pela fé cega e intolerância de gente que não mede esforços para alimentar um insano ‘fla-flu’ político no qual o outro lado nunca está certo cria o clima perfeito para os linchamentos. Físicos ou morais. Literais ou figurados.

Enquanto fecharmos os olhos para o que o ‘outro lado’ mostra, viveremos no limbo cultural, social e político. Não conseguiremos sair do escuro medieval em que estamos, procurando explicação para as barbáries que têm início justamente na nossa falta de civilidade diante de nossos adversários ideológicos”. (Editorial Metrô News, 14 de maio de 2014, 7090, ano 39). 

Quem quiser mais informações sobre o caso, segue link. Prossigamos na luta pacífica e persistente contra a violência.

 

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Pétalas (e pedras) arremessadas à causa LGBT – Eurovision 2014

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O Eurovision é provavelmente o concurso musical de TV mais antigo do mundo, com transmissão anual ininterrupta desde 1956! Ano após ano, premia os melhores cantores e bandas que, representando seus respectivos países, travam uma saudável e espetacular disputa de voz e performance com as respectivas pitadas culturais. Da vitória para o estrelato, foi a partir desses palcos que a indústria fonográfica global descobriu inconfundível banda Abba (vencedora do Eurovision 1974, com a canção “Waterloo”) e Celine Dion (vencedora do Eurovision 1988, com “Ne partez pas sans moi”).

Com 26 países no páreo, a edição de 2014 se desenrolou em meio a conflitos. Tudo porque uma competidora (uma das preferidas ao prêmio) se apresentava como uma bela mulher com barba. A austríaca Conchita Wusrt (nome artístico de Tom Neuwirth) cativou boa parte dos jurados e do público com seu vozeirão impecável aliado à estética inovadora

Por dar visibilidade à causa LGBT, a cantora foi simbolicamente apedrejada pelo conservadorismo europeu vindo, sobretudo, do leste, mas também dos lares tradicionais de todo o continente – e do mundo. Políticos em conserva da Rússia, Belarus e Armênia tentaram, a todo custo, censurar a transmissão televisiva do Eurovision em seus respectivos países (apenas nos blocos em que Conchita Wurst apareceria). Vale lembrar que, não raro, esses países chamam de ‘tradição’ as tradicionais perseguições aos direitos da população homossexual.

A visível injustiça, manifestada na forma mais mesquinha de discriminação* por gênero e sexualidade, só fortificou a convicção das comunidades LGBT da Europa. O preconceito escancarado na esfera pública não poderia vencer. E não venceu.

No último sábado, dia 10/05/2014, foi anunciada a vitória de Conchita Wurst. A música “Rise like a Phoenix” parece saída da alma e passou a envolver muito mais do que uma inflamada declaração de amor: tornou-se um grito de superação. Confira abaixo.

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Ao receber o prêmio, Conchita se emocionou e dedicou a vitória a todos aqueles que acreditam em um futuro de paz, liberdade e tolerância. “Vocês sabem quem são. Somos uma unidade e nada pode nos deter”.

“Rise like a Phoenix” está no top 10 do iTunes na França, Alemanha, Itália e Suécia – além, claro, da Áustria (1ª colocada).

Sucesso à moça e à luta que ela representa.

* OBS: O presente blog não cederá uma linha sequer às manifestações de ódio pronunciadas pelo vice-primeiro-ministro russo e por truculentos afins. Homofobia mata (e na Rússia, em particular, mata bastante).

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Berzoini critica blindagem da Folha a Alckmin!

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Deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) questiona publicação de reportagem sobre propinoduto no metrô paulista na editoria ‘Cotidiano’ da Folha de S.Paulo nesta segunda-feira e observa que o texto “não cita o nome de ninguém do governo tucano”; em suas últimas duas edições, a revista IstoÉ deixou clara a participação dos governos Geraldo Alckmin, José Serra e Mario Covas no esquema de superfaturamento de obras e propina, mas como noticiou o 247 no sábado, a Folha, que iniciou o assunto, tem blindado os tucanos;

“Nunca vi nada igual!! Rabo preso com o PSDB??”, questiona o parlamentar 247 – A Folha de S.Paulo, primeira a noticiar o esquema de superfaturamento e propina em obras do metrô paulista, a partir do “caso Siemens”, voltou ao assunto nesta segunda-feira 29. Mas como bem observou o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), o jornal publicou sua reportagem sobre o caso na editoria “Cotidiano”, em vez de “Poder”, e sem citar qualquer participação dos governos tucanos do Estado de São Paulo. “Folha noticia caso do superfaturamento do Metrô de SP na editoria de …cotidiano!! E não cita o nome de ninguém do governo tucano”, escreveu o parlamentar em sua conta no Twitter nesta manhã. “Nunca vi nada igual!! Rabo preso com o PSDB??”, questionou ainda Berzoini. Como noticiou o 247 no último sábado 27, a Folha que, curiosamente, iniciou a divulgação do caso, havia tirado seu time de campo, sem mais voltar ao tema. Na reportagem de hoje, o jornal da família Frias noticia que a Siemens, empresa que delatou um esquema de cartel da qual fazia parte, irá devolver aos cofres públicos o dinheiro das licitações pelas quais foi beneficiada. A multinacional alemã admitiu devolver parte do valor que teria sido superfaturado no fornecimento de equipamentos em São Paulo. Na segunda matéria sobre o caso, assinada pela jornalista Catia Seabra, o veículo também não cita o nome do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Conforme mostraram as duas últimas reportagens de capa da revista IstoÉ, o esquema de superfaturamento e propina nas obras do metrô e dos trens metropolitanos, segundo o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, tinha a participação de autoridades dos governos estaduais, que também eram beneficiados. Segundo a IstoÉ, foram desviados R$ 50 milhões nos governos de Alckmin, mas também de José Serra e Mario Covas. O atual governador será até alvo de uma ação de improbidade. Na segunda reportagem sobre o caso, a revista informa, com base em documentos aos quais teve acesso, que houve superfaturamento de no mínimo R$ 425 milhões no metrô paulista durante os sucessivos governos do PSDB nos últimos 20 anos, esquema que contou com a participação de autoridades e servidores públicos. Voltando às questões feitas pelo 247 no último sábado, por que então a Folha sequer citou o nome de um dos três governadores? E por que Geraldo Alckmin está sendo blindado pela grande imprensa?

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